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Como o monopólio de mercado fez 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck' se tornar uma realidade
Filme só existe por conta da entrada do Blue Sky Studios na máquina dos estúdios, deixando a criatividade de lado em prol apenas de ganhos frequentes com franquias
Matheus Mans | 28/01/2022 às 12:02 - Atualizado em: 28/01/2022 às 18:47
O filme 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck' chega ao catálogo do Disney+ nesta sexta-feira, 28, depois de um longo hiato de Manny, Sid e Diego. Ainda que seja um spin-off, sem ter conexão direta com as histórias contadas anteriormente nos outros cinco filmes, há expectativa ao redor sobre o que o longa-metragem vai contar e como ele vai contar.
Afinal, ao lado de 'Shrek', 'A Era do Gelo' foi um daqueles marcos criativos do cinema de animação dos anos 2000. Afinal, ainda que a Pixar estivesse no auge de sua criatividade e originalidade, com filmes como 'Procurando Nemo' e 'Monstros S.A.', essas duas franquias mostraram que havia muita vida para além dos muros da casa do Mickey Mouse.
Afinal, 'Shrek' sacudia a ideia acerca dos contos de fadas, com um ogro e um burro. Enquanto isso, 'A Era do Gelo' seguia uma antiga estrutura de road movies – em que a viagem é o meio para a transformação – só que com personagens pouco usuais: um mamute rabugento, um dente-de-sabre, uma preguiça gigante e um esquilo amável.

Muito dessa explosão de criatividade, porém, vinha da história dos dois estúdios por trás. 'Shrek' era de propriedade da DreamWorks, empresa do diretor e produtor Steven Spielberg, do executivo musical David Geffen e de um ex-executivo da Disney, Jeffrey Katzenberg. Havia liberdade para os filmes 'Shrek', 'A Fuga das Galinhas' e 'Madagascar'.
Enquanto isso, a Blue Sky Studios tinha um time jovem, criativo e ousado, formado principalmente por artistas e técnicos que tinham trabalhado na Disney durante a produção do filme 'Tron'. Esse grupo, junto com algum dinheiro por trás, foi o suficiente para essa história glacial acontecer ou até a simpática e subestimada animação 'Robôs'.
Só que, como em todos os mercados, a DreamWorks e a Blue Sky Studios foram engolidas pelo sistema. Em 2016, a Universal Pictures comprou o estúdio de animação em um acordo bilionário, batendo na casa dos US$ 4 bilhões. Já a Blue Sky Studios teve um caminho tortuoso: foi comprada pela Fox em 1997 e, depois, entrou no pacote da Disney.
Entre eras
Agora, vamos focar nossa conversa na história da Blue Sky para, enfim, chegarmos até a análise sobre 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck'. Quando a Fox chegou na história do estúdio, o que aconteceu foi um empurrão financeiro para que aqueles jovens ousados e criativos saíssem de pequenos trabalhos e fizessem filmes como 'A Era do Gelo'.
Obviamente, isso não durou para sempre. Ainda que o brasileiro Carlos Saldanha, diretor de 'A Era do Gelo' e 'Rio', tenha continuado na casa, logo ficou evidente que estavam apertando as ideias até a última gota. O longa-metragem de Manny, Sid e Diego ganhou quatro continuações, totalizando quatro histórias. A Fox queria aproveitar ao máximo.

O destino da Blue Sky enfim entrou em xeque quando a Disney concretizou a compra da 20th Century Fox em 2019. O berço de 'A Era do Gelo' e 'Rio' entrou no pacote e passou a fazer parte da casa do Mickey. Logo surgiram dúvidas: e agora? Como a Disney vai lidar com um estúdio pequeno para seus padrões? Voltará a ter mais liberdade e força?
Nada disso. Ao invés de transformar a Blue Sky Studios em um laboratório ainda mais independente do que a Pixar, a Disney fechou o estúdio em 2021. A culpa? Para o Mickey, da pandemia. Interrompeu imediatamente a produção de 'Nimona', baseada em uma HQ sensível e de potencial, e pôs um ponto final no estúdio que criou o esquilo Scrat.
Enfim, 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck'
Com isso chegamos no resultado desastroso de 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck'. Estreia exclusiva do Disney+ desta sexta-feira, 28, o longa-metragem foca na história dos gambás Crash e Eddie. Irmãos da mamute Ellie, eles partem em uma aventura solitária até o "mundo perdido" – onde encontram dinossauros e o tal de Buck do título.
É uma bagunça. Não há qualquer arroubo criativo, tampouco o brilho de 'A Era do Gelo' de outros tempos. Crash e Eddie, engraçadinhos em outros filmes da franquia, estão sem graça. Até mesmo Sid, a preguiça de fala preguiçosa e divertida, não brilha nos momentos em que aparece. São apenas piadas recicladas, sem qualquer originalidade.
O pior é que não há qualidade técnica. A renderização dos personagens é problemática, até mesmo com sombras que não fazem sentido. Não reparou? Aqui vai a dica: logo que os gambás Crash e Eddie estão entrando no tal "mundo perdido", eles correm de dois dinossauros. Veja como o brilho ao redor das criaturas não faz sentido. Erro técnico.
'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck' não está nos padrões da Disney, tampouco nos antigos padrões da Blue Sky Studios. História desinteressante, personagens que perderam o brilho, problemas técnicos. Resultado de uma decisão de fechar um estúdio com potencial criativo e, ainda assim, com vontade de ainda explorar produtos de animação.
Ao mesmo tempo, criações originais da Pixar também vão direto para o Disney+. Fica a dúvida: será que a Disney quer mesmo seguir caminhos experimentais, ousados e criativos nos cinemas? O que o Mickey Mouse quer? É difícil entender. No entanto, fica a certeza de que precarizar, fechar e demitir não são e nunca foram boas decisões.
Ok, se você ainda quiser conferir 'A Era do Gelo: As Aventuras de Buck' com seus próprios olhos, tem mais informações clicando aqui - inclusive o link para assistir no Disney+.

Jornalista especializado em cultura, gastronomia e tecnologia, cobrindo essas áreas desde 2015 em veículos como Estadão, UOL, Yahoo e grandes sites. Já participou de júris de festivais e hoje é membro votante da On-line Film Critics Society. Hoje, é editor do Filmelier.

Jornalista especializado em cultura, gastronomia e tecnologia, cobrindo essas áreas desde 2015 em veículos como Estadão, UOL, Yahoo e grandes sites. Já participou de júris de festivais e hoje é membro votante da On-line Film Critics Society. Hoje, é editor do Filmelier.
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